As crianças têm contato com o dinheiro muito antes do que imaginamos. Já aos três anos, elas observam os pais pagando nas lojas e, por volta dos seis anos, muitas vezes recebem suas primeiras mesadas. Mas como ajudar a criança a entender o mundo das finanças e crescer como um consumidor consciente?
Quando começar e por onde
Aos três anos, a criança já entende que é preciso pagar pelas coisas na loja. Aos cinco, ela começa a se interessar por preços. Esse é o momento ideal para iniciar as primeiras lições sobre dinheiro.
Comece com o básico: apresente as diferentes moedas e notas, explique o que é um preço e permita que ela participe de pequenas compras, pagando sob sua supervisão.
Crianças em idade pré-escolar respondem bem a atividades lúdicas. Brincadeiras de “loja”, “banco” ou “restaurante” são excelentes oportunidades para introduzir conceitos como compra, troca, poupança e até empréstimos. O importante é não sobrecarregar com informações e avançar em pequenos passos.
Dinheiro de bolso: quanto e com que frequência?
Dar mesada não é um mimo, mas sim uma forma de ensinar responsabilidade. O ideal é começar com valores pequenos, entregues uma vez por semana. A quantia deve respeitar a idade da criança e as possibilidades financeiras da família.
Principais regras:
- Dê o dinheiro sempre no mesmo dia da semana, criando uma rotina;
- Não use a retirada da mesada como forma de punição;
- Permita que a criança gaste o dinheiro como quiser (dentro de limites razoáveis), para que aprenda com as próprias escolhas.
O mundo digital: cartões e aplicativos
As crianças de hoje vivem em um mundo onde o dinheiro físico está cada vez menos presente. A partir dos 10 ou 12 anos, é possível oferecer um cartão adicional à conta dos pais ou um cartão exclusivo para crianças. Muitos bancos oferecem aplicativos com controle parental, nos quais é possível:
- Definir limites de gastos;
- Acompanhar as transações da criança;
- Programar o depósito automático da mesada;
- Estabelecer metas financeiras.
📱 Dica: O aplicativo Trilha Financeira (gratuito e desenvolvido pelo Banco Central) é uma boa ferramenta para começar a conversar sobre finanças com os filhos.
Aprendendo a planejar e poupar
Ensinar a criança a não gastar tudo de uma vez é fundamental. Comece com um cofrinho simples e ajude-a a definir um objetivo concreto, como comprar um brinquedo ou um patinete. Calculem juntos quanto tempo será necessário para atingir a meta poupando parte da mesada.
Para adolescentes, ferramentas mais avançadas podem ser utilizadas, como planilhas de receitas e despesas ou contas poupança específicas. Essa também é uma boa fase para introduzir conceitos básicos de investimento e segurança financeira.
💡 O projeto PoupediA, da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), oferece conteúdos educativos sobre finanças voltados para crianças e adolescentes.
O direito ao erro
Se a criança gastar toda a mesada em doces no primeiro dia, tudo bem — errar faz parte do aprendizado. Essa experiência ensina mais do que qualquer sermão. O importante é conversar sobre a situação sem julgamento:
- O que ela poderia ter feito diferente?
- Como pode planejar melhor os gastos da próxima vez?
Essas conversas desenvolvem autonomia e pensamento crítico.
O exemplo dos pais e o orçamento familiar
As crianças aprendem muito mais observando do que ouvindo. Se você gasta impulsivamente, será difícil ensinar seu filho a economizar.
Inclua as crianças no planejamento do orçamento familiar, discuta grandes compras e mostre como são tomadas as decisões financeiras. Planejar as férias ou juntar dinheiro para um objetivo comum em família são ótimas formas de ensinar, na prática, sobre cooperação e planejamento.
Recursos úteis para os pais
Atualmente, há muitos materiais de qualidade para ensinar educação financeira às crianças:
- Educação Financeira para Crianças – Banco Central do Brasil;
- Meu Dinheiro e Eu – Itaú Educação Financeira;
- Livros como “Pai Rico, Pai Pobre para Jovens” e “Como Falar de Dinheiro com seus Filhos”;
- Aplicativos como Mozper e Spriggy (ambos focados em mesada digital e educação financeira);
- Cursos e vídeos gratuitos no YouTube do Canal Futura.